Portugal em condições para avançar para a última fase do desconfinamento

Reprodução/Sic Notícias

O Presidente da República, o presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro e representantes dos partidos reuniram-se com peritos de saúde pública de várias instituições para uma análise da evolução da pandemia da covid-19 no país.

Na reunião de hoje no Infarmed, os peritos foram unânimes no otimismo da evolução da população.

NORTE MANTÉM TENDÊNCIA CRESCENTE E NO ALGARVE INCIDÊNCIA TEM BAIXADO

A sessão iniciou-se com a apresentação de André Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde, sobre a situação epidemiológica.

  • “Nos grandes centros urbanos há uma tendência decrescente o que estabiliza a tendedência nacional”
  • Paredes, Paços de Ferreira geram preocupação
  • Odemira em tendência decrescente
  • Algarve ainda com nível alto de incidência
  • Desceu a incidência na faixa etária 0-9
  • O grupo etários em que a incidência cresceu foi 10-20 anos
  • Incidência maior 10-49 anos
  • Maiores de 80 anos mantêm tendência decrescente: “tendência descrescente muito acentuada”.
  • Hospitalizações e mortalidade com tendência decrescente
  • Testagem da semana 16: aumento da intensidade de testagem desde a semana 15
  • Positividade a nível nacional: abaixo dos 4%
  • Tendência estável na incidência, aumento no grupo 10-19, aumento da testagem 15-21, mais de 80 mantêm tendência decrescente

A região Norte mantém uma tendência crescente na infeção por SARS-Cov-2, mas inferior aos 120 casos /100 mil habitantes, e no Algarve a incidência tem diminuído, mas ainda com valores acima da média nacional. Nas últimas duas semanas regista-se uma tendência estável da incidência cumulativa a 14 dias, o que o especialista considerou “um bom sinal”.

O especialista frisou que há uma heterogeneidade na incidência a 14 dias no território nacional, mas ainda com alguns concelhos com uma incidência superior a 120 casos/100 mil habitantes, e que há uma tendência decrescente nos grandes centros urbanos, “o que estabiliza a incidência nacional”, disse.

André Peralta Santos afirmou ainda que na última semana, pela densidade populacional e pelo número de habitantes se registou um crescimento nos concelhos do Norte como Paredes, Paços de Ferreira e Penafiel, o que , segundo o especialista, “causa alguma preocupação”.

Apontou ainda como “boa notícia” a inversão da tendência da incidência da infeção em Odemira (Alentejo). Apesar de continuar elevada, sublinhou, “iniciou já uma inversão e está com uma tendência decrescente”.

O especialista revelou ainda que nas duas últimas semanas se inverteu a tendência de crescimento na infeção por SARS-Cov-2, que provoca a doença da covid-19, na faixa etária dos 0 aos 9 anos.

Por outro lado, cresceu a incidência da infeção na faixa etária dos 10 aos 20 anos, mas o especialista sublinhou que “estes grupos não geram especial preocupação pois têm um curso de doença relativamente benigno”.

O grupo que gera maior preocupação, as pessoas com 80 anos ou mais, mantém uma tendência decrescente e é, neste momento, “o grupo mais protegido”, acrescentou.

Sobre o impacto da infeção no Serviço Nacional de Saúde (SNS), André Peralta Santos disse que a hospitalização mantém uma tendência “ligeiramente decrescente” e que a ocupação em unidades de cuidados intensivos baixou das 100 camas.

Sobre os internados nas enfermarias, há uma tendência de decréscimo ” muito acentuada” nas pessoas com 80 anos ou mais — “o que deve ser enquadrado com o esforço na vacinação em curso”.

Nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), o grupo dos 50 aos 79 anos é aquele que tem maior ocupação, mas com valores “muito inferiores ao pico” e a mortalidade mantém uma “evolução positiva”.

Quanto à testagem, houve aumento da intensidade e os concelhos com maior incidência da infeção têm testado mais. A taxa de positividade mantém-se abaixo do indicador de referência dos 4%.

“SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA CONTROLADA”

A evolução da incidência e transmissibilidade do vírus SARS-CoV-2 a cargo de Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

  • Decréscimo da transmissibilidade: R(t) 0,99 nos últimos 5 dias
  • Incidência média/dia em decréscimo, tendência estável
  • Aumento da incidência 10-20 anos (reforço de testagem e abertura de escolas)
  • “Situação nas escolas é bastante melhor que na abertura do ano letivo em 2020”
  • A nível europeu a incidência está a aumentar, com aumento da mobilidade
  • Efeito da vacinação: mais de 80 anos com taxa bastante elevada (inverteu a incidência com a primeira dose da vacina); grupo 60/79 ainda com cobertura vacinal baixa
  • Previsão de vacinação: 80% vacinados acima de 70 anos no final de maio, 80% acima de 60 anos no final de junho.
  • Região norte com R(t) 1,05
  • “Situação epidemiológica controlada, mas é importante a manutenção do controlo da epidemia: testagem, isolamento, rastreio, redução de contactos, Manutenção de medidas preventivas e manutenção do processo de vacinação”.

“Observou-se um decréscimo da transmissibilidade e para os últimos cinco dias estimámos um R de 0,99. A incidência também está em decréscimo, a tendência é estável e será ligeiramente decrescente”, adiantou o perito do INSA.

De acordo com Baltazar Nunes, a evolução foi positiva na generalidade das regiões em relação à atualização feita há duas semanas, na qual apenas a região de Lisboa e Vale do Tejo apresentava um R abaixo de 1.

“A situação atual é bastante melhor. Atualmente, apenas a região Norte tem um R acima de 1; todas as regiões do continente estão com incidência abaixo dos 120 novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias e do R igual a 1, com exceção do Norte”, clarificou.

Apesar de admitir um atual aumento da incidência no grupo entre os 10 e os 20 anos, vincou que “dos 30 anos para a frente não há alteração e acima dos 80 anos mantém-se a redução da taxa de incidência”.

O investigador do INSA enfatizou o “benefício e o impacto da vacinação nos grupos etários para reduzir a incidência” e, através de simulação matemática para diferentes cenários de incidência controlada e incidência crescente para os próximos meses, notou que “os resultados sugerem uma situação epidemiológica controlada com claros sinais de impacto do plano de vacinação, nomeadamente na população com 80 ou mais anos de idade”.

A manutenção do controlo da situação epidemiológica passará, segundo Baltazar Nunes, “por compensar o aumento de contactos e transmissibilidade com o aumento da testagem, isolamento de casos e rastreio de contactos”, bem como a continuidade do cumprimento das medidas preventivas. Já sobre as linhas do Governo para o desconfinamento, admitiu que não se espera “que esta linha esteja no horizonte já que estamos com uma tendência estável”.

“Demoraremos muito tempo, se chegarmos” aos 120 casos por 100 mil habitantes, acrescentou o especialista do INSA, sublinhando que Portugal já está também entre os países com maior mobilidade a nível europeu e “não manteve o padrão de aumento da incidência e do R, mas estabilizou com um R ligeiramente abaixo de 1 e a incidência entre 60 e 120” de novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias.

DETETADOS OS PRIMEIROS CASOS DA VARIANTE INDIANA, PREVALÊNCIA DA VARIANTE BRITÂNICA

João Paulo Gomes, do INSA, faz a atualização da vigilância das variantes do vírus no país.

  • “Variante do Reino Unido prevalece, aumento das variantes de Manaus e África do Sul, detetados primeiros casos da indiana”
  • Previsão para mês de abril: total de 1800 vírus sequenciados de 18 distritos e mais de 150 concelho, até agora 550 vírus sequenciados.
  • Prevalência da variante do vírus do Reino Unido – 90%
  • Variante P1 (Manaus) – todos os países europeus com tendência crescente – Portugal com 73 casos, 44 identificados nos últimos 15 dias
  • Variante África do Sul – todos os países europeus com tendência crescente – Portugal com 64 casos, 11 nas últimas 2 semanas
  • Variantes de Manaus e da África do Sul com tendência crescente em Portugal e na Europa
  • Foram detetados os primeiros 6 casos da variante indiana, em Lisboa e Vale do Tejo

“Nesta última semana detetámos os primeiros cinco casos da tal variante que apelidamos como indiana, todos eles associados a Lisboa e Vale do Tejo, e que de acordo com o perfil genético que nós pudemos observar se referem a três introduções distintas desta variante no país”, disse o investigador.

João Paulo Gomes adiantou que, quando se dirigia para a reunião do Infarmed, recebeu um telefonema dos colaboradores do Instituto Gulbenkian de Ciência a comunicar que tinham acabado de detetar mais um caso desta variante.

“Portanto, não são cinco, são seis casos nesta última semana da variante indiana”, disse o investigador, na reunião de atualização da vigilância de variantes genéticas do novo coronavírus em Portugal, que junta peritos, Governo, Presidente da República e representantes dos partidos.

Segundo João Paulo Gomes, todos estes resultados são comunicados em “tempo real e atempadamente” à Direção-Geral de Saúde e às Administrações Regionais de Saúde (ARS) para que de “uma forma atempada também se proceda a um rastreio de contactos e ao bloqueio das cadeias transmissão”.

“Temos informação que isto está a ser feito de imediato como seria de esperar”, sublinhou o investigador do INSA e coordenador do estudo sobre a diversidade genética do novo coronavírus em Portugal.

“RISCO DE MORRER POR COVID-19 É AGORA CINCO VEZES MENOR DO QUE NO INÍCIO DA PANDEMIA”

Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, faz uma apresentação sobre a vacinação, as variantes genéticas e a mortalidade.

  • “A importância da vacinação para avaliar as medidas que tomamos”
  • “Diários da pandemia”: relatos de um conjunto de voluntários sobre a pandemia e a vacinação – pessoas mais velhas querem ser vacinadas; grupo etário 40-60 são os que querem menos tomar a vacina
  • “Foi melhor a realidade que as nossas previsões conservadoras”

A probabilidade de um doente morrer por covid-19 baixou em Portugal de 4%, nos primeiros dois meses da pandemia, para 0,5%, revelou hoje o epidemiologista Henrique Barros.

O especialista em saúde pública e epidemiologista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto revelou estes dados na reunião de peritos que decorre no Infarmed, em Lisboa, sobre a situação epidemiológica do país.

Henrique Barros, que falou sobre a vacinação, as variantes genéticas do vírus e a mortalidade, adiantou que a redução da probabilidade de morrer por covid-19 se explica com a testagem, que é agora muito maior, “quando no início apenas se identificavam os casos mais graves”, mas também com os efeitos da aprendizagem na capacidade de resposta à doença.

Contudo, há outros fatores que ainda não se conseguem controlar e, por isso, a letalidade subiu em janeiro e fevereiro, disse.

PERCEÇÕES SOCIAIS DA PANDEMIA E ÁREAS CRÍTICAS

Apresentação das perceções sociais da pandemia no país a cargo de Carla Nunes, da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.

  • Áreas críticas em Portugal num determinado período de tempo (concelhos e grupos de concelhos).
  • Saúde geral e mental ainda com níveis preocupantes na 28ª quizena – 1 em cada 5 portugueses sentem-se ansiosos; flexibilização de comportamentos (uso de máscara, contactos sociais…)
  • Vacinação nas últimas duas quizenas – 81,7% disponívies para tomar a vacina; decisão de não tomar a vacina centrada nas idades 26/45 e 46/65 anos (idades ativas com mais resistência a tomar a vacina).

LIMITAÇÃO A DUAS VACINAS PODE CONDICIONAR A UTILIZAÇÃO DE 2,7 MILHÕES DE VACINAS

coordenador da task force vice-almirante Henrique Gouveia e Melo faz o ponto de situação da vacinação.

  • “Vacinação está perto de atingir 3 milhões de inoculações no continente, com os Açores já ultrapassámos os 3 milhões de vacinados”
  • 70% da população vacinada em agosto
  • “Há uma abundância de vacinas”
  • Auto-agendamento na ordem das 100 mil pessoas/dia

O coordenador da ‘task force’ para o plano de vacinação admitiu hoje que a limitação de idade a dois tipos de vacinas pode condicionar a utilização de meio milhão de vacinas no segundo trimestre e 2,7 milhões no terceiro trimestre.

“O limite de idade aos dois tipos de vacinas que estamos a utilizar pode condicionar a utilização até meio milhão de vacinas, apesar de estamos a tomar medidas para mitigar este processo”, disse o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo na reunião do Infarmed, em Lisboa, que reuniu esta manhã especialistas, o Presidente da República, o Governo e representantes dos partidos.

No terceiro trimestre, as mesmas duas vacinas com as limitações também da idade podem atrasar a meta dos 70% da população vacinada até ao verão, admitiu o coordenador da ‘task force’.Volume 90% 

MARCELO SAÚDA “PROGRESSO NA VACINAÇÃO” E DECISÃO DE “PRIVILEGIAR A PRIMEIRA DOSE”

O Presidente da República referiu no final que o decréscimo “da mortalidade e da letalidade vão acompanhando o avanço da vacinação”, saudou o progresso da vacinação e a decisão de “privilegiar a primeira dose” quando por motivos de escassez é preciso optar.

Depois de agradecer a todas as equipas de especialistas que participaram nestas sessões, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que “o progresso da vacinação” em Portugal “merece ser saudado e merece ser destacado” e tem acompanhado “par e passo” a gestão e a evolução da covid-19.

“Eu saúdo a decisão que nos foi hoje comunicada de privilegiar a primeira dose, quando existe por razões de escassez relativa uma necessidade de opção entre aumentar o número da primeiras doses e reforçar as reservas para segunda dose”, acrescentou.

Segundo o Presidente da República, “quanto à vacinação, tem havido um processo de adesão crescente dos portugueses, à medida que verificam aquilo que entendem ser o sucesso, pelo menos imediato, dessa vacinação”.

Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que “várias das apresentações mostraram que a letalidade e a mortalidade vão acompanhando em sentido inverso o avanço da vacinação”.

O Presidente da República vai falar hoje ao país, pelas 20:00, depois de ouvir os partidos sobre o possível fim do estado de emergência.

Há 20 dias, Marcelo Rebelo de Sousa disse esperar que o estado de emergência não voltasse a ser decretado para além de abril e que se pudesse entrar numa “boa onda” em maio, o que fez depender dos dados da covid-19 em Portugal.Volume 90% 

REUNIÃO DECISIVA PARA A 4.ª FASE DO DESCONFINAMENTO

A 20.ª reunião de peritos ocorre na semana em que o Governo vai decidir se Portugal avança para a quarta e última fase do plano de desconfinamento, que está prevista iniciar-se a 03 de maio.

Na terça-feira, o primeiro-ministro disse ter a “esperança” de que o país possa dar, na próxima semana, o “passo que falta” no processo a “conta gotas” de reabertura da atividade económica e social após o confinamento motivado pela covid-19.Volume 90% 

O índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus SARS-Cov-2 em Portugal subiu para 0,99 enquanto a incidência de casos de infeção por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias desceu para 70,4, segundo os dados da DGS divulgados na segunda-feira.

Estes indicadores – uma incidência de números de casos de covid-19 abaixo dos 120 por 100 mil habitantes e índice de transmissibilidade (Rt) inferior a 1 -, são os critérios definidos pelo Governo para a avaliação contínua do processo de desconfinamento que está em curso.

Fonte: SIC Notícias

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