“É assim que nos vestimos”: Mulheres afegãs no estrangeiro partilham os coloridos trajes tradicionais

Foto: Twitter/Bahar Jalali

Basta uma rápida pesquisa no Google sobre os trajes tradicionais das mulheres no Afeganistão para encontrar dezenas de imagens de vestidos em seda coloridos e descrições de como estes são usados especialmente em ocasiões particulares, como casamentos. Dezenas de afegãs espalhadas por todo o mundo iniciaram um movimento nas redes sociais em que mostram os seus trajes típicos, em resposta a uma fotografia, onde cerca de 300 mulheres aparecem sentadas numa sala de aulas da universidade de Cabul, vestidas de preto da cabeça aos pés a acenar a bandeira dos taliban.

Foi a historiadora e investigadora de estudos de género Bahar Jalali, natural do Afeganistão, a viver nos EUA, a iniciar o movimento #DoNotTouchMyClothes (“Não toquem nas minhas roupas”, em tradução livre). Jalali publicou uma fotografia, no Twitter, em que veste um exuberante vestido verde “Esta é a cultura afegã. Estou a usar um vestido tradicional afegão”, escreveu na legenda, para depois incentivar outras mulheres a partilharem os seus trajes típicos.

O vestido verde da fotografia, conta a professora universitária, noutra publicação, foi feito na província ancestral de Ghanzi, no Afeganistão. “Os taliban destruíram recentemente um monumento histórico em Ghanzi. Este vestido representa a resistência cultural. Usá-lo representa desafiar a repressão”, defende. A historiadora partilhou, nos últimos dias, várias fotografias antigas do Afeganistão. Nas imagens, pode ver-se as mulheres em trajes coloridos, incluindo uma fotografia da sua mãe de 1969, num vestido de padrão floral, com decote em v.

“Os nossos trajes culturais não são as roupas de Dementor”

Esta semana, dezenas de mulheres afegãs a viver no estrangeiro responderam ao apelo de Bahar Jalali e partilharam fotografias nos seus trajes tradicionais. É o caso de Lema Afzal, de 25 anos, a estudar na Bélgica. “Não queremos que sejam os taliban a ditar quem são as mulheres afegãs, sublinhou à Reuters. Afzal nasceu no Afeganistão durante a primeira ocupação talibã, entre 1996 e 2001, e disse ter ficado horrorizada quando viu as fotografias das mulheres vestidas de preto. Quando era criança recorda como a sua mãe usava uma longa burca azul, imposta às mulheres de então, e como esta tinha dificuldade em respirar ou ver. “A fotografia preocupou-me, talvez a história esteja a repetir-se. A família da minha mãe não tapava a sua cabeça nos anos 70 ou 80, quando estava na moda usar minissaias no Afeganistão”, lembra.

Todas as partilhas reforçam que o traje preto imposto pelos taliban não é o tradicional. Apesar de cada zona do país ter as suas roupas tradicionais, explica, em entrevista à BBC, a activista Spozhmay Maseed, a viver na Virgínia, EUA, todas partilham algo em comum: muita cor e bordados. “Somos, há séculos, um país islâmico e as nossas avós sempre de vestiram de forma modestas nas suas roupas tradicionais, que não são o ‘chadari’ azul ou a burca preta”, sublinha.

No Afeganistão, as mulheres agradecem às afegãs no estrangeiro que têm partilhado as fotografias, já que elas estão impedidas de o fazer, com medo das represálias dos taliban. “Pelo menos elas podem dizer ao mundo que nós, as mulheres do Afeganistão, não apoiamos os taliban”, disse Fatima, uma jovem de 22 anos, em Cabul, à Reuters. “Não posso publicar fotografias ou usar mais esse tipo de roupas aqui. Se usasse, os taliban matar-me-iam.”

Quando o grupo extremista estava no poder no país há duas décadas, as mulheres tinham de cobrir dos pés à cabeça e só podiam sair acompanhados de um homem, quer fosse o marido, o pai ou o irmão, entre muitas outras restrições. Quem quebrasse as regras seria açoitada em público pela “polícia” talibã. Agora, o novo regime promete mais liberdade para as mulheres, mas já tem havido relatos de mulheres proibidas de se deslocarem para o trabalho, o desporto passou a estar interdito para o sexo feminino e a violência tem aumentado nos protestos. Por exemplo, nas universidades, foram instaladas cortinas dentro das salas de aulas para separar homens e mulheres.

Fonte: Público

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