Dois meses desde o terramoto o Haiti continua a precisar de ajuda médica

Foto: STEVEN ARISTIL

Dois meses passados desde que o terramoto de magnitude 7,2 assolou o Sul do Haiti, as áreas afetadas por este desastre natural mantêm elevadas necessidades de saúde.

PIERRE FROMENTIN
PIERRE FROMENTIN

Muitas pessoas feridas no terramoto continuam em tratamento e reabilitação e outras necessidades médicas têm aumentado nas zonas onde foram destruídas casas, estruturas de saúde e outras infraestruturas.

Pruneau Mimose é enfermeira supervisora na equipa de emergência médica da Médicos Sem Fronteiras que está a prestar apoio no Hospital Immaculée Conception, em Les Cayes, província Sud do Haiti. Chegou a este hospital a 23 de agosto, na resposta da organização médico-humanitária ao terramoto que causou pelo menos 2 200 mortos em todo o Sul do país. “O hospital estava lotado, as crianças e os adultos juntos. As pessoas chegavam já após terem passado vários dias, com os ferimentos infetados”, recorda.

A MSF tem vindo a prestar apoio a hospitais e clínicas com equipas, provisões, trabalho de reconstrução e serviços de água e saneamento. Muitos feridos tiveram de ser transferidos rapidamente para o Hospital MSF de Traumatologia em Tabarre, na capital, Port au Prince, mas a vasta maioria recebeu cuidados especializados nas estruturas de saúde no Sul. Em hospitais em Les Cayes, Jérémie e em Port au Prince, foram providenciados cuidados cirúrgicos e pós-operativos a 230 pessoas com ferimentos graves resultantes do terramoto. E, ao mesmo tempo que as equipas cirúrgicas da MSF trabalhavam nos hospitais, outras deslocaram-se prontamente para chegar a várias províncias do Sul do país, alcançado povoações que se sabia estarem isoladas, como Pestel e Corail, na província de Grand’Anse, e até mesmo ilhas costeiras como Cayemites.

“Muitos dos nossos pacientes hospitalizados receberam alta recentemente e estão agora a ser acompanhados em cuidados de reabilitação”, conta o coordenador de emergências da MSF em Les Cayes, Raphaël Torlach. “Estamos a ajudar os pacientes com transportes e alojamento de forma a conseguirem ir às consultas, porque alguns vivem muito longe.”0 seconds of 2 minutes, 9 secondsVolume 0% 

No Hospital Immaculée Conception, em Les Cayes, o número de pacientes que chegam ao serviço de urgências e o número de cirurgias permanecem muito elevados.

Uma equipa médica da MSF trabalha em conjunto com as equipas do hospital no tratamento de pacientes nas alas de urgências, cirurgia e de pós-operativo, providenciando também medicamentos e equipamento. “Há ainda quase 50 pacientes internados nas alas hospitalares a que prestamos apoio, incluindo sobreviventes do terramoto com ferimentos graves e também pacientes com outros traumatismos”, descreve Raphaël Torlach.

A enfermeira Pruneau Mimose, que tem a seu cargo as atividades de enfermagem na ala de pós-operativo e gere a entrada e saída de pacientes no Hospital Immaculée Conception, elogia os voluntários locais que prontamente se disponibilizaram a ajudar no hospital assim como as equipas que ali trabalham. “Sem os voluntários, o nosso trabalho seria muito mais difícil. São pessoas fantásticas – trabalham incansavelmente”, frisa.

STEVEN ARISTIL
ALEXANDRE MICHEL

O terramoto causou danos graves no Hospital OFATMA de Les Cayes. Aqui, uma equipa médica da MSF preparou-se, em conjunto com as do hospital, para gerir os cuidados pediátricos e neonatais em tendas hospitalares. A organização está ainda a construir e a dotar de equipamentos uma sala de partos e a providenciar tendas para cuidados pré e pós-parto.

Mais para Oeste, em Port-a-Piment, o terramoto também danificou gravemente um hospital público onde a MSF presta há vários anos cuidados de saúde sexual e reprodutiva. Os serviços médicos foram inicialmente deslocados para o exterior da unidade hospitalar, para tendas, e a organização renovou toda a sua base logística de forma a criar um espaço onde os profissionais da MSF e do hospital pudessem tratar os pacientes em segurança.

Para chegar às comunidades em zonas isoladas na província Sud do Haiti, a MSF ativou clínicas móveis que operam ao longo da costa Sul e nas montanhas, assim como em campos de pessoas deslocadas internamente em Les Cayes. Estas clínicas móveis – com médicos, profissionais de enfermagem, promotores de saúde e, frequentemente, psicólogos – fizeram já mais de 7 300 consultas, providenciando cuidados de saúde primários e serviços de saúde mental.

Com o passar do tempo, o número de pacientes com ferimentos devidos ao terramoto tem vindo a diminuir, mas muitas pessoas têm doenças relacionadas com as precárias condições de vida e fraco saneamento, como lesões de pele, infeções respiratórias agudas, parasitas, gastrite e infeções urinárias e genitais. Pacientes com casos graves são transferidos para estruturas de saúde funcionais de forma a receberem o tratamento necessário, incluindo casos de desnutrição, de ferimentos infetados e abcessos, complicações na gravidez, condições crónicas que não têm sido reguladas e casos de transtorno de stress pós-traumático.

Em meados de outubro a MSF completou a distribuição de cinco mil kits de artigos de ajuda em povoações e campos de deslocados internos na província Sud.

Já na província de Nippes, Sudoeste do Haiti, as equipas da organização médico-humanitária prestam apoio em estruturas de saúde com doações de equipamento e provisões médicas, tendas e ajuda financeira. Entre meados de setembro e meados de outubro, as equipas móveis da MSF nesta região atenderam 1 416 pessoas, na maioria casos de dores abdominais, gastrite, infeções e febre. Na comuna de Baradères, o terramoto danificou ou destruiu por completo milhares de casas, forçando as pessoas a dormirem ao relento ou em abrigos improvisados, e casou danos nos sistemas de água, pelo que as pessoas se veem obrigadas a encontrarem formas alternativas de acesso a água.

STEVEN ARISTIL

“Respondemos às necessidades imediatas com o transporte de água em camiões-cisterna e a instalação de pontos de captação de água e de uma estação de emergência para o tratamento de água à superfície. Mas também damos muita importância em garantir o fornecimento de água às comunidades a longo prazo, com a reparação da infraestrutura de água”, explica a coordenadora de emergências da MSF em Nippes, Sadie St. Denis.

As equipas da organização médico-humanitária distribuiram artigos não-alimentares como vasilhames para o transporte de água, pastilhas para purificação da água, sabão, martelos, revestimentos pláticos, cobertores e redes mosquiteiras para ajudar as famílias a construirem abrigos e reduzir os riscos de saúde associados a condições precárias de saneamento e higiene.

A situação de segurança em Port au Prince tem vindo a deteriorar-se, complicando o trabalho das equipas da MSF. “Um dos grandes problemas são os transportes, porque para chegar por terra a Les Cayes ou Jérémie é preciso atravessar a zona de Martissant, que tem sido assolada por uma guerra de gangues e é extremamente instável. E demorou algum tempo para se ter acesso a aviões ou helicópteros”, conta a diretora de operações da MSF no Haiti, Isabelle Mouniaman.

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