Paracatu encanta pelo patrimônio histórico e paraíso natural

Foto: Sarah Campos

A cidade conta  com uma rica programação cultural e festas populares, parte oriunda das tradições dos escravos,  que estão sendo  retomadas após a paralisação motivada pela pandemia de COVID-19.


O núcleo urbano de Paracatu surgiu no início do século 18, sob o signo do ouro, que aflorava nos córregos da região (ouro de aluvião). Por causa da abundância do valorizado metal, o arraial teve um rápido crescimento e foi dado de presente a ninguém menos que o príncipe dom Pedro I. Em 20 de outubro de 1798, foi elevado à condição de Vila de Paracatu do Príncipe.


Passados mais de 200 anos, a riqueza minerária permanece. A cidade responde por 25% da produção de ouro do Brasil, sediando as atividades da empresa Kinross Paracatu, que explora a mineração, gerando 6 mil empregos diretos e indiretos.


O município conserva a história e a memória. O seu centro histórico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2012. Um dos mais imponentes prédios antigos de Paracatu é a Matriz de Santo Antonio, erguida em 1754 pelos padres jesuítas e feita de taipa, adobe e vigas de aroeira, que continuam preservadas. O altar-mor é todo confeccionado em madeira. “Esta é a igreja com maior vão livre do mundo, com o telhado sem cumieira”, explica Cristiane Pereira dos Santos, guia de turismo na cidade.

Outro cartão postal é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos Livres, de estilo jesuístico-barroco. Datada de 1744, a igreja foi construída por escravos alforriados, que a frequentavam. Um dos destaques do antigo templo é uma enigmática imagem talhada em madeira no altar-mor, um “quebra-cabeça”, com o desenho de uma parreira e de um ramo de trigo, que traz a representação do rosto de um homem negro, que somente é descoberto após certo tempo de observação pelo visitante.


Impossível não fazer uma volta ao passado com visitas aos prédios do Centro Histórico. Um deles é a Casa de Cultura. Erguido na metade do século 19, o edifício já sediou a Câmara Municipal de Paracatu e um antigo grupo escolar. Atualmente, é dedicado a diversas atividades culturais. 


Vale a pena uma passagem pelo Museu Histórico, sediado no antigo Mercado Municipal de Paracatu, onde as visitas são gratuitas. O espaço reúne elementos do ciclo do ouro e dos tropeiros, objetos usados na escravidão e equipamentos antigos do cinema. Também há livros e fotos que registram o modo de vida e as manifestações culturais da região em outras épocas.

Foto: Sarah Campos


A história  e os acontecimentos marcantes de Paracatu também podem ser conferidos na Casa Kinross. Trata-se de um espaço interativo de convivência onde foram reunidas memórias do município. O acervo conta com depoimentos de moradores da cidade em vídeo, compartilhando suas próprias lembranças, coletados pela equipe do Museu da Pessoa, de São Paulo.

Tradição quilombola

Em  Paracatu, uma boa dica é um passeio cultural ao povoado de São Domingos, comunidade quilombola encostada na área urbana do município. Ali, o visitante tem a oportunidade de conhecer a história e os costumes dos descendentes de escravos, a partir da narrativa deles próprios. 


Os quilombolas preservam tradições e comemorações como a Festa da Caretada, realizada há mais de 200 anos, sempre  nos dias 23 e 24 de junho. O destaque é a participação de homens com os rostos cobertos (daí o nome) e fantasiados, divididos em dois grupos: de cavalheiros e damas. 

Eventos culturais e painel de pinturas

Além da Caretada, Paracatu conta com outras festas tradicionais, realizadas  ao longo do ano e cuja  programação foi retomada após uma parada por causa da pandemia. Entre os eventos estão a Festa da Folia de Reis (dezembro/janeiro), de Santo Antônio (1º a 13 de junho) e de São Benedito (20 a 29 de junho), além de festivais gastronômicos e apresentações musicais. 


O retorno das atividades culturais foi marcado com o concerto “Valencianas”, apresentado pela Orquestra Ouro Preto juntamente com o cantor e compositor pernambucano Alceu Valença, realizado no dia 20 de outubro, no Jóquei Clube da cidade. Com entrada gratuita, o evento foi patrocinado pela empresa Kinross Paracatu. 


O espetáculo “Valencianas” celebrou a comemoração dos 223 anos da elevação de Paracatu à condição de Vila de Paracatu do Príncipe. O aniversário da cidade também foi marcado pela inauguração de um mural de arte sobre a história e as tradições em painéis pintados no muro do Jóquei Clube, “IntegrArte Paracatu”. De autoria da artista plástica Janaína Campos, o trabalho reúne 30 murais com desenhos interativos que totalizam 750 metros quadrados (250 metros de extensão por três metros de altura).

Quitutes mineiros com marca própria

Em Paracatu, o turista  pode saborear as delícias da culinária regional. São encontradas iguarias que dão água na boca como doces de frutas, a empada de capa fina (a base de trigo recheado com frango) e o famoso pão de queijo mineiro. 


Um “compromisso imperdível” é visitar o café colonial do Quintal da Angela. Trata-se de um espaço agradável e acolhedor, marcado pela simplicidade. Ali, o cliente é recebido pela proprietária Maria Ângela Neto Siqueira Resende, que prepara os quitutes. Um dos mais apreciados é o delicioso Bolo da desmandada, iguaria regional que vem dos tempos escravos. 


Outro ponto para os amantes das iguarias mineiras em Paracatu é o Trem bão Paodequeijaria. Como o nome indica, ali se consome o saboroso pão de queijo, mas feito das mais diferentes formas. Além do produto tradicional, no cardápio consta o pão de queijo com bacon, requeijão cremoso, linguiça caseira,  carne seca, pizza e com outras combinações, servidas com o bem preparado cafezinho, café expresso, capuccino ou com sucos variados, ao gosto do freguês. 


Para apreciar (e saborear) a culinária regional, vale a pena uma esticada até o restaurante Casa de Concessa, situado às margens da BR-040 (sentido Brasília), a sete quilômetros da área urbana. Com decoração em estilo fazenda, o estabelecimento oferece a legítima comida mineira no sistema self-service, em fogão à lenha. Tem, por exemplo, o famoso leitão à pururuca. Ali também pode se comprar doces e lembrancinhas.

Córrego da Prata guarda paraíso natural

O município de Paracatu guarda um verdadeiro paraíso natural, escondido na região do Córrego da Prata. São mais de 10 quedas d’água, sendo a Cachoeira do Ascânio, com 50 metros de altura, a maior delas. Logo após a queda, forma-se um grande poço, perfeito para um bom mergulho.

A região de cachoeiras fica distante 40 quilômetros da sede urbana. O caminho é a MGC-188, sentido Guarda-Mor – 16 quilômetros de asfalto e outros 24 quilômetros não pavimentados. As condições do trecho de terra não estão muito agradáveis. Mas compensa o sacrifício. As quedas d’água ficam situadas em área particular, sendo cobrado o valor de R$ 15 por pessoa. 


Outro atrativo natural de Paracatu é a Gruta Lapinha de Santo Antonio, situada a apenas 14 quilômetros da cidade, às margens da MG-188, no sentido Unaí. A caverna encanta pelas belezas da sua cavidade, com destaque para os espeleotemas (pequenas formações cársticas), além de colunas, estalagmites e estalactites em um salão. A entrada na gruta é guiada, com o valor de R$ 180 por pessoa, incluindo a cessão de equipamento de segurança.  

Serviço

Como chegar a ParacatuPartindo de Belo Horizonte (502 quilômetros), segue pela BR-040, sentido Brasília. 


Onde comer Restaurante Casa de ConcessaBR 040, sentido Paracatu/Brasília, a 7 km da área urbana
Bistrô CanutoRua Goiás, 245 – Largo do Rosário
Trem Bão PaodequeijariaRua Goiás, 343, Centro

Onde ficar
Hotel VeredasRua Getúlio Melo Franco, 333. Fone: (38) 3671-3366 
Hotel das PalmeirasRua Lindolfo Garcia Adjuto, 1.030, Alto do Córrego. Fone: (38) 3672-1310
Hotel EldoradoAvenida Olegário Maciel, 1210. Fone (38) 3671-5500

Onde se informar
Guiastur: [email protected]: (38) 99985-5902

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