Boric é eleito presidente do Chile, derrotando o ultradireitista Kast

Foto: reprodução/Plataforma

As ruas de Santiago explodiram em festa este domingo, quando a vitória do jovem de esquerda Gabriel Boric nas eleições presidenciais chilenas foi confirmada: com 99,47% das urnas apuradas, ele tinha 55,86% dos votos, mais de 11 pontos à frente do candidato da extrema direita, José Antonio Kast

Boric, de 35 anos, idade mínima para se candidatar ao posto, se tornará o presidente mais jovem da história do Chile quando assumir o poder em 11 de março, substituindo o conservador Sebastián Piñera.

“Viva o Chile, porra!”, gritavam jovens agitando a bandeira nacional nas ruas da capital após as primeiras contagens irreversíveis divulgadas pelo Serviço Eleitoral (Servel), celebrando uma vitória que rapidamente foi reconhecida por Kast.

“Acabei de falar com @gabrielboric e o parabenizei por sua grande vitória. A partir de hoje ele é o presidente eleito do Chile e merece todo o nosso respeito e colaboração construtiva. Chile sempre em primeiro lugar”, escreveu o advogado de 55 anos no Twitter.

Nascido na cidade de Punta Arenas, no extremo sul do país, Boric se impôs sobre o projeto de ordem e continuidade neoliberal proposto por seu adversário Kast, com um programa que promete avançar rumo a um Estado de bem-estar social.

Deputado e ex-líder estudantil, ele se candidatou à presidência pela coligação Apruebo Dignidad, que reúne a Frente Amplio – da qual faz parte – e o Partido Comunista. No segundo turno, ele conseguiu o apoio de todos os partidos de centro-esquerda.

Sem intenção de liderar uma candidatura presidencial até o ano passado por ser considerado “inexperiente”, em maio, nas primárias da esquerda, ele surpreendentemente superou Daniel Jadue, candidato do Partido Comunista e prefeito do bairro da Recoleta, em Santiago.

“Somos uma nova geração que entra na política com as mãos limpas, o coração quente, mas com a cabeça fria”, declarou Boric após votar neste domingo em sua cidade natal.

Suas propostas são frequentemente opostas às de Kast, que é contrário ao aborto e ao casamento igualitário e buscava manter os pilares do sistema neoliberal imposto pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Boric quer garantir uma série de direitos sociais, que pretende financiar com uma reforma tributária que visa arrecadar mais 5% do PIB durante seu governo.

Reviravolta

O Chile atravessa profundas mudanças desde 2019, quando surgiram grandes protestos – alguns muito violentos – exigindo maior igualdade e direitos sociais.

A chamada “explosão social” desencadeou um processo de elaboração de uma nova Constituição para substituir aquela promulgada durante a ditadura de Pinochet.

A convenção que redige o novo texto, dominada por representantes de esquerda, deve concluir seus trabalhos em meados do próximo ano, sob o olhar do novo presidente.

Nunca antes, desde o retorno à democracia, em 1990, haviam disputado a votação final candidatos que não pertencem nem à antiga Concertación, coalizão de partidos de centro-esquerda, nem à Alianza, coalizão de direita.

A campanha teve um tom bastante polarizado e com ampla circulação de notícias falsas.

“Esta campanha foi encarada pela classe política da pior forma (…) com uma imagem de polarização que é bastante enganosa”, disse à AFP o analista político Marcelo Mella, da Universidade de Santiago.

No primeiro turno, Kast venceu com 27,9% dos votos, enquanto Boric obteve 25,8%.

Ônibus insuficientes

O dia das eleições foi marcado por problemas com o transporte público em Santiago e várias regiões deste país de 19 milhões de habitantes.

Em um dia de primavera, com temperaturas de até 35 graus Celsius, grandes aglomerações foram registradas nos pontos de transporte público, principalmente pela manhã, quando muitos tentaram se adiantar para evitar o calor e não encontraram ônibus.

Nas redes sociais e na imprensa, eleitores denunciaram a falta de ônibus em um dia em que o governo havia prometido aumentar a frota.

O governo, por sua vez, garantiu que não houve problemas com o transporte, mas no final da tarde a ministra da pasta, Gloria Hutt, pediu desculpas.

Mais de 15 milhões de cidadãos foram convocados às urnas para escolher o sucessor de Piñera.

Fonte: Plataforma

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