Luzes, música e pirotecnia. Que comecem os Jogos Olímpicos de Inverno

Foto: EPA/Alex Plavevski

Os Jogos Olímpicos de Inverno Pequim2022 vão ser disputados sob fortes restrições, de acordo com a estratégia chinesa de ‘zero casos’ de covid-19.

Todos os elementos das comitivas, incluindo atletas e treinadores, assim como jornalistas são mantidos numa ‘bolha sanitária’, evitando contactos com a população local, que vai ser prolongada até aos Jogos Paralímpicos de Inverno, entre 4 e 13 de março. Aos não vacinados, foi exigida uma quarentena de 21 dias à chegada a Pequim.

Além de uns Jogos seguros, Pequim prometeu organizar um evento “verde” e “limpo”, em que a eletricidade consumida vai ter origem inteiramente renovável e 85% dos veículos para transportes movidos a energia elétrica ou a hidrogénio.

Zhangjiakou, cidade que coorganiza os Jogos a cerca de 180 quilómetros a noroeste de Pequim, instalou eólicas capazes de produzir 14 milhões de quilowatts, aproximadamente a mesma potência usada por um pequeno Estado como Singapura.

As montanhas circundantes estarão cobertas de painéis solares com uma capacidade adicional de sete milhões de quilowatts.

Estas diferentes instalações vão estar ligadas a um centro de distribuição para os diferentes locais olímpicos, o que permite a Pequim afirmar que a “alimentação” destes Jogos tem unicamente origem renovável.

Em contrapartida, a China terá que recorrer a neve artificial, por uma vez que Pequim se situa numa região onde neva pouco.

Se, em 2019, as autoridades chinesas estimavam que iriam necessitar de 185 milhões de litros de água para cobrir as pistas, agora os organizadores garantiram que esta água não terá produtos químicos e entrará naturalmente nos solos quando derreter.

Três esquiadores para melhorar os resultados de Portugal
Portugal participa na competição com Ricardo Brancal e Vanina de Oliveira, no esqui alpino, e José Cabeça no esqui de fundo, os três estreantes em Jogos Olímpicos.

O chefe de missão da comitiva portuguesa, Pedro Farromba, referiu que a expectativa passa por melhorar os resultados das últimas edições.

“Melhorar em relação aos resultados que nós tivemos nas últimas edições será um bom resultado”, disse o também presidente da Federação de Desportos de Inverno de Portugal, em declarações à agência Lusa, segundo o qual, “só pelo facto de os atletas conseguirem chegar lá, já é de grande mérito”.

Na apresentação da comitiva portuguesa, segunda-feira, no Comité Olímpico de Portugal, Pedro Farromba disse não prometer “medalhas, mas suar a camisola e honrar a bandeira”.

Ricardo Brancal, covilhanense de 25 anos, parte com a ambição de “igualar ou superar Arthur Hanse, que obteve um ‘top-40’ em slalom [36.º lugar entre 109 participantes, em Pyeongchang2018]”, embora tenha referido que ficar no ‘top-50’, tendo em conta o nível competitivo de várias seleções, seria “já uma grande vitória”.

Em Lillehammer1994, Georges Mendes cortou a meta no 31.º lugar no slalom, numa prova que contou com 40 atletas a competirem.

Vanina Oliveira, de 19 anos, residente em França e filha de mãe natural de Atães, Guimarães, deposita também no slalom a maior esperança.

“Espero representar bem Portugal, mas também divertir-me e aproveitar o momento. O slalom é a minha disciplina favorita e na qual vou tentar um resultado melhor”, afirmou a atleta, que durante a preparação para Pequim2022 se ressentiu da lesão nas costas que a afetou nos Mundiais.

Em Sochi2014, a portuguesa Camile Dias conseguiu um 40.º lugar entre 88 participantes.

José Cabeça, de Évora, é atleta de triatlo e começou a esquiar há apenas dois anos, com vista ao sonho de estar presente nos Jogos Olímpicos, onde vai disputar os 15 km estilo clássico, e não perdeu a esperança de ser o primeiro português a participar também nos Jogos Olímpicos de Verão.

O eborense de 25 anos conseguiu no Campeonato do Mundo de esqui nórdico, em Oberstdorf, na Alemanha, em fevereiro de 2021, uma pontuação que abriu uma vaga para Portugal em Pequim2022, na prova de 10 km estilo livre, conta no total com cinco meses de treino na neve e manifestou-se “muito orgulhoso” com a evolução conseguida.

O ‘personal trainer’ quer ser “o melhor português a fazer esqui de fundo”, mas, para já, promete apenas “dar o melhor”, reconhecendo que “um resultado a meio da tabela seria incrível” e que nos próximos Jogos conversará “de maneira diferente”.

Em Turim2006 e Vancouver2010, o único representante português nos Jogos Olímpicos de Inverno, Danny Silva, de Almeirim, competiu em esqui de fundo, nos 15 km estilo livre, nos quis alcançou o 94.º lugar entre 98 participantes e o 95.º e último posto da classificação, respetivamente.

Pedro Farromba chamou a atenção para o aumento do número de atletas da equipa lusa e afirmou ser um grupo com uma boa preparação.

“Temos atletas muito bem preparados. Aliás, os últimos resultados mostram isso mesmo. Temos uma equipa forte, motivada, com muita vontade”, vincou o chefe da missão olímpica.

O presidente do COP, José Manuel Constantino, alertou para as dificuldades dos praticantes de desportos de inverno em Portugal e acentuou a esperança de que, nas próximas edições, com o desenvolvimento das modalidades de pavilhão de desportos de gelo, o país possa ter “uma representação mais robusta”.

Também durante a apresentação da comitiva, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, destacou uma “delegação reduzida em número de atletas, mas nada reduzida em vontade de desempenhar esta missão com sucesso para o país”, que participa pela nona vez na competição.

Em Pequim2022, Vanina Oliveira é a primeira a entrar em ação, a 7 (slalom gigante) e 9 de fevereiro(slalom), seguindo-se José Cabeça, em 11 (15 km clássicos), e Ricardo Brancal, em 13 (slalom gigante) e 16 (slalom).

Boicote diplomático, Peng Shuai e covid-19 ‘ensombram’ organização
A perseguição à população uighur em Xinjiang, que os norte-americanos já qualificaram de genocídio, o tratamento dos tibetanos e a repressão de liberdades em Hong Kong são vários dos focos políticos de uma prova que, ainda antes de começar, está já envolta em polémica.

Estados Unidos e Reino Unido foram os mais proeminentes a anunciar um boicote diplomático, sem presença de qualquer representante nos Jogos, em particular nas cerimónias, a não ser a presença desportiva, e a estes seguiram-se muitos outros.

Canadá e a Austrália, entre outros, seguiram-se na medida de retirar a presença diplomática e política, sem prejudicar a participação dos atletas desses países, e em 19 de janeiro o Parlamento Europeu também recomendou aos Estados-membros um “boicote diplomático e político”.

Também Portugal não terá representação política nas cerimónias de abertura e encerramento, “por várias razões”, explicou em 24 de janeiro o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Desde “o momento político que se vive em Portugal” ao “sentido de unidade próprio da União Europeia” nas atuais “circunstâncias”, admitindo também o peso que tem o facto de os Jogos Olímpicos de Inverno não serem, “do ponto de vista desportivo, ‘o alfa e o ómega’ do desporto nacional”.

As críticas à realização do evento não pararam por aí, dado que o desaparecimento da tenista Peng Shuai, que acusou um antigo governante de a violar, trouxe à baila a proximidade do Comité Olímpico Internacional (COI) ao Governo chinês.

O presidente, Thomas Bach, conversou por via telemática com Shuai, mas ativistas e associações humanitárias criticaram a forma ‘velada’ como a desportista pareceu regressar a uma vida normal, ainda que em reclusão, e como o assunto não trouxe quaisquer repercussões fora do circuito mundial de ténis.

Enquanto robôs servem gelado às comitivas nos dias que antecedem as provas, e um destes autómatos está já preparado para ser o primeiro a participar no revezamento da tocha olímpica, também os ambientalistas criticam a pegada ecológica de Pequim, uma cidade altamente poluída.

Quanto à covid-19, a pandemia volta a ensombrar uns Jogos Olímpicos, depois de Tóquio2020, no verão passado, no país onde foram registados os primeiros casos e onde, no último domingo, a capital registou o maior número de novos positivos em 18 meses.

Mais elevada do que em Pequim, a braços há muito com medidas muito restritivas para controlo pandémico, está a ‘bolha’ olímpica, que tem tido, em média, 32 casos diários, sobretudo entre atletas e equipas técnicas, preocupando a organização.

Do lado do público, que esteve arredado de Tóquio2020, a expectativa do COI é que os recintos possam ter entre 30 a 50% da capacidade ocupada com convites, para compensar a decisão de desistir da venda de bilhetes ao público.

Entre convidados locais e expatriados, Pequim2022 terá algum público entre a capital, Zhangjiakou e Yanqing, nuns Jogos em que as apertadas regras sanitárias terão de ser cumpridas para evitar a ativação dos planos de contingência competitivos, entre a ‘repescagem’ de atletas para finais ou atribuições múltiplas de medalhas se não puderem ser disputadas.

De resto, a forma como a covid-19 tem sido gerida por Pequim levanta também dúvidas quanto à espionagem, e possível fuga de dados através do acesso a telemóveis dos atletas, para controlo sanitário, e repressão dos locais durante uma prova que se quer focada apenas no fenómeno desportivo.

Fonte: Sapo24

Download Nulled WordPress Themes
Download WordPress Themes
Download Nulled WordPress Themes
Download Nulled WordPress Themes
udemy course download free
download lava firmware
Download WordPress Themes Free
online free course

Deixe um comentário

Seja o primeiro a comentar!